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Fazenda de Mexilhão recebe crianças e adolescentes do Jetuba do Projeto Colônia de Férias
Fazenda de Mexilhão recebe crianças e adolescentes do Jetuba do Projeto Colônia de Férias
A Fazenda Marinha de Mexilhão, na praia da Cocanha, no bairro Massaguaçu, foi o destino das crianças e adolescentes do Condomínio Residencial Getuba “Sylvio Luiz dos Santos”, que participam do projeto Colônia de Férias, na quinta-feira (29).

#PraTodosVerem No galpão do programa Fazenda Marinha de Mexilhão da Cocanha, os participantes do projeto Colônia de Férias assistem palestra do biólogo José Donizete.
A primeira parada foi no galpão da Fazenda para uma aula sobre biodiversidade, animais marinhos e flora e fauna locais. A palestra foi ministrada pelo biólogo José Donizete Oliveira, 70 anos.
Ele contou que veio para Caraguatatuba com a família quando tinha 13 anos e passou sua adolescência entre o Jetuba e Massaguaçu. “Naquela época, a cidade tinha apenas 15 mil habitantes. A vegetação nas praias era farta e era uma região com muito mero-preto ou garoupa-preta, que pode atingir comprimentos de 2,5 metros (8,2 pés) e pesar até 363 quilos. Hoje é uma espécime que corre risco de extinção e sua pesca é proibida do Brasil desde 2002.
O especialista em Educação Ambiental de Mar e Mata contou que somente aos 50 anos formou-se em Biologia e hoje trabalha para conscientizar principalmente crianças da importância em preservar a natureza, o meio ambiente e respeitar todas as espécies para a própria sobrevivência do ser humano.
Oliveira também falou sobre a poluição nos oceanos causada principalmente pelo plástico. Ele mostrou fotos de aves marinhas e tartarugas em risco para estarem presas ou ingerirem materiais plásticos. “Um produto plástico leva de 100 a 500 anos para se decompor e mesmo assim ainda deixam resíduos. O planeta terra é nossa casa. Ajudem a cuidar do meio ambiente. Diminuam o uso de plástico e cuidem do lixo de vocês”, alertou.
Depois, os alunos foram com o biólogo Marcelo Wary Júlio de Oliveira, 37 anos, e a estudante de biologia, Yohana Oliveira, 25 anos, para ver e tocar animais marinhos como o ouriço, a esponja e o pepino do mar, o caranguejo e o mexilhão nativo da área e também a espécie invasora da Ásia que chegou ao Litoral Norte por meio do casco de navios ou da água de lastro.
Os espécimes estavam acondicionados em vasilhames plásticos cobertos por água do mar.
Heber Lucas Alves Silvério, 13 anos, disse que ficou imaginando a Cocanha sem quiosques, gente, e com a natureza preservada e muitos animais, além da faixa de areia que era muito menor do que hoje. “Foi incrível poder pegar nos animais marinhos e conhecer um pouco sobre eles”, declarou.
O amigo Benício Silva de Carvalho, 11 anos, também achou “bem da hora” sentir nas mãos a textura “molenga” e flexível do pepino do mar e mesmo com luvas perceber os espinhos afiados do ouriço. “Aprendi que esses animais sofrem muito com a poluição no mar e que precisamos cuidar do meio ambiente para que eles não desapareçam”, destacou.
Curiosidades
Pepinos do mar são “aspiradores” do fundo do mar, comem detritos e expelem areia limpa.

#PraTodosVerem O adolescente Heber Lucas segura com luvas um ouriço do mar
Esponjas do mar filtram água por poros para capturar plâncton e material orgânico.
Os ouriços do mar desempenham funções importantes na manutenção do equilíbrio dos recifes de coral ao controlarem o crescimento de algas e na reciclagem de nutrientes no fundo do mar., e também uma iguaria gastronômica valorizada. Podem viver até 200 anos.
Os caranguejos são crustáceos que surgiram há cerca de 180 milhões de anos, no período Jurássico. São conhecidos por sua capacidade de adaptação a diferentes habitats, desde ambientes marinhos a terrestres. Espécies como o caranguejo-uçá (Ucides cordatus) e o chama-marés (Uca sp.) escavam galerias que drenam e oxigenam o sedimento, e facilita o crescimento das raízes das árvores de mangue. Consumidores de matéria orgânica, ajudam na decomposição e ciclagem de nutrientes no ecossistema. Compõem a fauna do fundo do mar e servem de alimentos para diversos peixes, aves e mamíferos marinhos.
O mexilhão é um molusco bivalve, que possui um corpo mole protegido por uma concha com duas partes (valvas) e se alimenta filtrando a água, encontrado tanto em ambientes marinhos (como o mexilhão-azul) quanto de água doce (como o mexilhão-dourado), sendo comestível e cultivado em várias partes do mundo, mas algumas espécies são invasoras e causam problemas ecológicos, como o mexilhão-dourado na América do Sul.
Fazenda Marinha de Mexilhão de Caraguatatuba
A Fazenda Marinha de Mexilhões na praia da Cocanha é a maior do estado de São Paulo, e cultiva mexilhões de forma sustentável desde 1990.
Com 17 famílias de maricultores, a produção utiliza técnicas artesanais em uma área de aproximadamente 34.000 a 40.000 m² e utiliza o sistema “longline” e cordas, que sustentam os coletores de sementes de mexilhão. Em uma corda de dois metros é possível colher até 20 kg de mexilhão.
A produção é de cerca de 50 a 160 toneladas de mexilhões por ano, cultivados em cordas submersas. Embora o marisco se desenvolva ao longo de todo o ano, a primavera é considerada o período ideal para seu crescimento.
A Associação de Pescadores e Maricultores da Praia da Cocanha (Amapec) organiza passeios turísticos, degustação e venda direta, além de ser um ponto importante para a biodiversidade local.
O mexilhão é a base do prato caiçara “lambe-lambe”, famoso no Festival do Mexilhão, realizado anualmente.
Secretaria de Comunicação – 30/1/2026
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