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Especialistas abordam dicas importantes no 1º Fórum Municipal de Longevidade dentro da Semana de Valorização à Pessoa Idosa
Especialistas abordam dicas importantes no 1º Fórum Municipal de Longevidade dentro da Semana de Valorização à Pessoa Idosa
Se somos todos “idosos em construção” como disse a escritora Ashton Applewhite e se “envelhecer é viver” de acordo com a filósofa Simone de Beauvoir, como alcançar uma longevidade saudável, física e mentalmente, para uma população mundial, brasileira e caraguatatubense, que chega aos 60+ a passos largos?
Essa foi a grande questão abordada por quatro especialistas de áreas distintas, no ciclo de palestras do 1º Fórum Municipal de Longevidade dentro da Semana de Valorização à Pessoa Idosa de Caraguatatuba, na quinta-feira (2), no Teatro Mario Covas.
O professor doutor Egídio Lima Dórea, coordenador da Universidade Aberta à Terceira Idade da USP e Conselheiro do Internacional Longevity Centre Brazil, foi o primeiro a abordar a questão na palestra “Longevidade Saudável: uma possibilidade para todos”.
O especialista começou lembrando que a Organização das Nações Unidas (ONU) e a Organização Mundial de Saúde (OMS) declararam como a “Década do Envelhecimento Saudável”, entre os anos de 2021 e 2030, com o objetivo de chamar a atenção tanto do poder público como da iniciativa privada para ações conjuntas que contemplem projetos e programas que permitam todas as pessoas envelhecerem com saúde e qualidade de vida.
Egídio ressaltou a importância de cada pessoa ser um agente, o protagonista para administrar bem, com boas escolhas o seu processo de envelhecimento. Nesse sentido, manter-se ativo, fazer atividades físicas e mentais, boa alimentação e boa noite de sono são imprescindíveis.
O médico destacou ainda a relevância de manter uma boa relação familiar e relações de amizade nesse processo. “De acordo com um longo estudo feito pela Universidade de Harvard (EUA), a qualidade dos relacionamentos e a frequência de contato social positivo são os maiores preditores de felicidade, saúde e longevidade”, pontuou.
Também salientou “a epidemia silenciosa de idadismo ou etarismo que vivemos atualmente”. “A frase você está ótima(o) para sua idade, nem parece que tem 50, 60 ou 70 anos, é carregada de preconceito. Cada pessoa sente e é afetada distintamente por ele. Esse etarismo/idadismo vai criando estereótipos sociais velados. Cientificamente, já foi estudado e comprovado que uma pessoa que sofre frequentemente esse preconceito diminui em 7,5 sua expectativa de vida”, ressaltou.
Dórea propõe como saída para combater o idadismo/etarismo, a educação desde a tenra idade. “Que crianças, adolescentes e jovens aprendam a reconhecer e valorizar o conhecimento, a maturidade, a experiência dos mais velhos. O movimento para esse caminho é proporcionar cada vez mais o convívio intergeracional. O contato entre pessoas de idades diferentes em atividades planejadas é mutuamente muito benéfica”, afirmou.
Para concluir, Egídio Dórea, aconselhou aos presentes: “Não olhem o passado com desespero, olhem seu passado como algo íntegro. Guardem o passado pelo exemplo de vida, os valores o significado que você deixou”.
A segunda palestra da noite foi “Saúde Mental e Longevidade: uma conexão necessária” com a psicodramatista, psicopedagoga, mestre em Gerontologia Social e doutora em Psicologia Clínica, Divina de Fátima Santos.
A professora e coordenadora do curso de Psicologia da Universidade Módulo disse que “a saúde mental é um pilar crucial para garantir uma vida longa e saudável”.
“Manter relações familiares, com amigos e socialmente, são fatores importantes na equação para driblar transtornos mentais como a depressão e a ansiedade. Ter uma rede de apoio, ter com quem conversar, com quem contar em momentos alegres ou situações difíceis, cultivar a resiliência, o bem estar emocional e ter um propósito de vida, manter a mente ativa com leitura, novos aprendizados e, se precisar, ter um suporte de um profissional de psiquiatria e psicologia, são estratégias para um envelhecimento mentalmente saudável. Se a gente se cala, o corpo padece”, afirmou a especialista.
Divina também abordou o idadismo/etarismo. “Se um jovem esquece algo, ele é distraído. Se é uma pessoa mais velha, ela está ficando gagá. Como disse o professor Egídio, é algo essencial para trabalharmos na nossa sociedade para que o preconceito contra a pessoa idosa diminua. É um trabalho a longo prazo, desde a infância até às universidades”, apontou.
A palestrante sugeriu ainda que as pessoas diminuíssem o tempo de uso do celular, principalmente à noite. “Passamos muitas horas no celular e acabamos por conversamos menos pessoalmente com amigos e familiares. Passamos a ter preguiça de sair, passear, por conta da internet e do mundo digital. E isso não é saudável. Além disso, o celular é inimigo do sono. De preferência desliguem o celular e o deixem fora do quarto de dormir”, disse.
Para encerrar a professora afirmou: “A saúde mental não é um bônus, mas uma condição essencial para uma longevidade de qualidade”.
Em seguida, foi a vez da fisioterapeuta com especialização em Gerontologia e mestre em Saúde Pública, Rúbia Hiromi Guibo Guarizi, explicar sobre uma doença que acomete muitos idosos, a sarcopenia, que é a perda progressiva de força e massa muscular.
Hoje, no mundo, de 10% a 27% da população 60+ padece com esse problema de saúde. No Brasil, no estado de São Paulo, 15,4% dos idosos e no Rio de Janeiro, 10,8% têm essa enfermidade.
“A questão é que quando uma pessoa perde a força e a massa muscular ela perde mobilidade e a autonomia, o número de internações por queda aumentam e também o número de óbitos em decorrência de tombos”, disse.
Além da sarcopenia física há também a respiratória. Nesse caso, a pessoa perde a força na musculatura diafragmática e passa a ter dificuldade em respirar.
A fisioterapeuta disse que o diagnóstico deve ser feito por um médico especialista e que a atitude a ser tomada é a reabilitação, tanto para a musculatura corporal, principalmente de membros inferiores, e a respiratória, com exercícios específicos.
“Ao recuperarmos a força de um paciente estamos também recuperando seu equilíbrio, com isso, mais segurança para ele caminhar, ter autonomia e segurança no seu dia a dia. Assim temos menos internações e menos óbitos por causa da sarcopenia”, afirmou a profissional.
Para encerrar a noite de troca de saberes, o médico clínico e pós-graduado em Geriatria, Márcio Adriano Taniguti, conversou sobre “Os pilares da Longevidade Saudável: construindo um futuro com mais vida aos anos”.
Para Taniguti, “a longenvidade é uma poupaça”. Todo dia, todo mês, é preciso construí-la com o controle de peso, alimentação saudável, diminuição da ingestão de açúcar, álcool, evitar cigarro, estresse, sedentarismo, solidão, ter uma boa noite de sono, manter as vacinas em dia assim como as consultas e exames médicos.
“Os quatro pilares da longevidade saudável são: manter o corpo em movimento, nutrição saudável, sono reparador e autocuidado por meio da medicina preventiva”, disse.
O médico acrescentou ainda os exemplos das oito cidades das “zonas azuis” Okinawa (Japão), Sardenha (Itália), Icaria (Grécia), a Península de Nicoya (Costa Rica) e Loma Linda (Califórnia, EUA), onde há muitas pessoas acima de 80 anos e até centenários com boa saúde física e cognitiva.
“São oito os segredos para alcançar a longevidade saudável, de acordo com estudos junto a essas populações: Dieta baseada em plantas, Baixo consumo de calorias, Água limpa e ar puro, Hábitos saudáveis de sono, Prática de atividades físicas, Controle de estresse, Rede de apoio social e Propósito de vida”, disse.
O geriatra também apontou que de acordo com o censo do IBGE de 2010, Caraguatatuba tinha uma população idosa de 11% e na pesquisa de 2022 passou a ser de 16%.
“Caraguatatuba foi classificada como a 16ª melhor cidade do Brasil para se viver após os 60 anos, de acordo com um estudo de 2023 do Instituto de Longevidade. A cidade, que é a 1ª do Vale do Paraíba nesse mesmo ranking, se destaca pelo seu preparo para a população idosa e pela oferta de políticas públicas voltadas a esse público”, destacou.
O evento teve ainda a apresentação do grupo de dança Fênix, formado por mulheres 60 +, comandada pela professora Lucia Gardelin, com a coreografia Amor por Caraguá, que exaltou a beleza do município, sua cultura e seu povo.
A Semana de Valorização ao Idoso é uma realização da Secretaria dos Direitos da Pessoa com Deficiência e do Idoso (Sepedi) com a parceria do Conselho Municipal de Defesa dos Direitos do Idoso (CMDDI).
Secretaria de Comunicação – 06/10/2025
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